O humanismo fez e faz muito mal ao ser humano porque, em sua
essência, incentiva primeiramente a realização pessoal de cada indivíduo. Foca,
antes de tudo, na felicidade/satisfação do ser para que então este se ocupe com
a necessidade alheia. Incentiva a conquistas de sonhos e objetivos, liberdades
e direitos que, em um segundo plano, podem até vir a ser benéficos ao próximo
- mas como afirmado: em segundo plano, de forma indireta.
E é assim que se constrói todo esse falso altruísmo
propagado nos meios de comunicação, em nossa metodologia educacional, nas
músicas, nos pensamentos continuamente compartilhados e aplaudidos por todos...
A grande questão, que se torna evidente no evangelho de
Jesus, está justamente em que a vida bem vivida se encontra ùnica e
absolutamente pautada no Amor. Toda e qualquer raiz de egoísmo que existe no
ser humano acaba por ser refletida em sintomas de infelicidade para o indivíduo.
Ainda, é preciso compreender que o único tipo de conduta em
que um ser faz algo desprovido de interesse pessoal é aquele que encontra no
Amor a motivação para o agir. Todo o resto são estilhaços do ego humano
procurando propósito para sua existência nos prazeres oriundos da realização de
sua própria vontade.
E todas as condutas advindas da alma humana podem ser
resumidas em dois universos que se contrapõem: o universo das que são pautadas
no Amor; e o universo das que não são.
No Amor, fatores externos e internos já não influenciam mais
o modo como você reage ou se posiciona ante aos dilemas da existência.
No Amor, ter ou não ter, estar ou não estar, já não são mais
condições determinantes do seu estado emocional, pois o seu coração não está
mais preso a nada, no primeiro caso, nem tampouco a si mesmo, no segundo caso.
Viver se transforma no prazer de encontrar no próximo a sua
própria satisfação, de modo tal que as dores e sofrimentos que afetam o ser são
aqueles decorrentes das necessidades do próximo.
Desse modo, e somente assim, se encontra satisfação no
sofrimento; alegria em meio à dificuldade; confiança e fé em meio ao aparente
caos.
Assim se encontra a Deus e se
vive a vida de Cristo - se vive bem!
"O morrer é lucro; e o viver é Cristo".
Só nesse contexto a emblemática frase de Paulo pode fazer sentido; do contrário, ela se transforma em mera expressão poética romântica, totalmente distante da realidade prática.
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