domingo, 25 de dezembro de 2016

Acerca da Glorificação e da Esperança vindoura.





“E, se nós somos filhos, somos, logo, herdeiros também, herdeiros de Deus e coerdeiros de Cristo; se é certo que com ele padecemos, para que também com ele sejamos glorificados” (Romanos 8: 17).

Texto para compreensão: Romanos 8: 17 ao 39.

Refletir acerca da glorificação é, antes de tudo, ter em mente que ela é o motivo de toda a nossa Esperança, já que a glória vindoura é o grande prêmio que aguarda a todos aqueles que, em Cristo, perseverarem até o fim, pois herdarão todas as coisas (Ap 21: 7) e reinarão com Ele para sempre (Ap 3:21); é a coroa separada para quem for fiel até a morte (Ap 3:11); é a certeza de que, independentemente das aflições e tribulações que afrontam o ser humano participante deste mundo caído, o consolo perfeito virá (Ap 21:4); é definitivamente o chamamento da morte para a vida. 
                      
A glorificação é, portanto, a manifestação final dos efeitos da Salvação (Rm 8:30). A justificação e arrependimento advindos da fé e a santificação caracterizada pelo exercício das boas obras antecedem ao momento em que finalmente a Igreja se tornará plena em Deus, assim como possuidora da coerança de todas as coisas juntamente com Jesus.
                       
Desse modo, para que fique mais claro o entendimento deste assunto, o alcance da Glorificação será separado em alguns pontos que abaixo se passa a expor:

1) A natureza espera a glorificação da Igreja (Rm 8:21 ao 23). 
Ora, sabemos que toda a criação foi acometida pela corrupção devido à desobediência do homem no Éden (Gn 3:17). A promessa de restauração de todo o cosmos natural passa, portanto, pela reconciliação absoluta do ser humano para com seu Criador. Por esse motivo, o apóstolo João, quando do recebimento da visão do Apocalipse, declara “então vi novos céus e uma nova terra” (Ap 21:1), pois o Senhor Deus terá feito novas todas as coisas (v 5).

Portanto, a própria natureza espera com grande entusiasmo e dor a manifestação desse momento. Toda a maldição ordenada sobre a terra cessará, gerando assim a reconciliação de todas as coisas para com Deus.   

2) Como acontecerá a Glorificação (I Co 15: 51 ao 58 e II Pe 1:4). 
Paulo, ao tratar deste assunto, esclarece que o primeiro efeito da Glorificação será a retirada de toda a natureza corruptível presente no ser humano, que hoje abunda na carne até mesmo daqueles que já foram salvos pela fé em Cristo, para a implantação do corpo espiritual incorruptível. É nesse momento que os que estiverem vivos serão totalmente transformados e os mortos ressurgirão para o revestimento de seus corpos desse novo atributo da imortalidade.  

Pedro, de igual modo, enquanto explica essas questões, em sua segunda epístola (1:4), deixa bem claro que todas as promessas de Cristo têm um único objetivo: que nós nos tornemos participantes da natureza divina. Essa participação significa o aperfeiçoamento do ser humano na plenitude do próprio Deus, através do conhecimento e da vivência efetiva de todos os Seus atributos.  

Aleluia! Meu coração mui se alegra em saber que poderei contemplá-lO de modo tão íntimo e pleno. E que não somente isso, mas que igualmente participarei de Sua glória!

Deus, em Sua infinitude, será progressivamente conhecido por nós, que hoje só podemos percebê-lO e vê-lO como que por espelho; mas, quando no momento da Glorificação, poderemos vê-lO face a face. Hoje nós O conhecemos em parte; mas então O conheceremos como também somos conhecidos (I Co 13:12).

Portanto, meu caro, no céu não viveremos em estado de estagnação perpétua, mas em contínua atividade, enquanto se obtém o conhecimento da plenitude de Deus manifesta em sua essência. E você vai concordar que, para conhecer o infindável, precisa-se de, no mínimo, uma eternidade.

3) O triunfo da Igreja, por intermédio da Glorificação, não é para esta vida (Rm 8:18). 
Os Evangelhos, que descrevem a vida de nosso amado Mestre, bem como os apóstolos demonstram a todo o instante que o triunfo da Igreja não é para esta existência – mas para a vindoura.

No texto mencionado acima, e em vários outros, Paulo demonstra que a vida nesta terra é repleta de tribulações e angústias. Ele chega a afirmar que se esperarmos por Cristo somente nesta existência, somos os mais miseráveis de todos os homens (I Co 15:19).

O Novo Testamento, em praticamente toda sua inteireza, declara que o destino daqueles que creem e confessam a Jesus, no tempo presente, é de inequívoco padecimento: padecimento esse advindo da proclamação do testemunho de Cristo, em Amor, enquanto se peregrina por um mundo absolutamente contrário e que rejeita frequentemente a reconciliação com Deus. 

Assim, como esperar a glória, o triunfo, assim como reconhecimento ou honrarias em um lugar que nega e contradiz toda a essência daquilo que pregamos?! De fato, não há como.

Por isso, a Palavra sempre nos alerta de que seríamos escarnecidos, muitas vezes privados de nossa liberdade, bens e honra pela causa maior, que é a testificação da Salvação ao mundo por intermédio das boas obras (Ef 2:10).   

Ao longo da carta redigida à igreja da Galácia, o "apóstolo dos gentios" refuta boa parte da doutrinação contemporânea que invoca o triunfo e as benesses da futura Glorificação para esta vida. Ele afirma que a promessa feita a Abraão, de que todas as nações seriam benditas por seu ato de fé, foi direcionada a Cristo (Gl 3: 8 e 16). E Cristo, a todo tempo, afirma que o Seu reino não é daqui; as Suas promessas não têm por finalidade as benevolências neste mundo. A promessa de que herdaremos a terra não se refere a este momento, ou então Jesus não afirmaria que Ele iria nos preparar lugar para habitar eternamente com Ele em Seu reino, no instante da Glorificação (Jo 14: 2 e 3).  

Meu amigo, escrevo desse modo para você perceber que, de modo equivocado, muito do que se tem cantado e pregado atualmente tem por único intuito antecipar a Glória futura e infindável para esta vida - que é passageira, incompleta, imperfeita...

Não são bens materiais, riquezas, promessas de vitórias instantâneas sobre os problemas do cotidiano, que simbolizam o nosso triunfo com Cristo, pois isso significaria diminuir demais as promessas eternas de Deus, restringindo-as para esta pequena temporalidade.  

Por isso, espero sinceramente que a Glorificação futura seja a Esperança que te guie constantemente (Rm 8:18); que o capacete da Salvação revista toda a sua consciência de modo que todo o seu pensar, agir e falar estejam voltados somente para a glória de Deus, ainda que esta se manifeste em meio à escassez física, aguardando ansiosamente o tão esperado dia da Justiça (Ef 6:17).

E, por fim, permaneça sempre firme nas verdadeiras promessas de Cristo, tendo a certeza de que aquele que começou a boa obra em nossas vidas irá completá-la, em seu estado absoluto, no dia da Glorificação (Fp 1:6). Amém.   

Brasília, 15 de fevereiro de 2015.

Nenhum comentário:

Postar um comentário