domingo, 25 de dezembro de 2016

Parte 4: Da ilegitimidade dos que O representam.



Em quais corações Jesus efetivamente nasceu?!

Quem deu ouvidos a Sua pregação e cumpriu os Seus mandamentos?!

Quais são os Seus mandamentos e princípios que, se praticados, resumem todo o infinito Reino de Deus?!

Aqueles que vierem a permitir o nascimento de Cristo em seus corações e mentes devem, então, não ter mais uma vida voltada pra si mesmos; a vida já não lhes pertence mais; manifestou-se o novo nascimento, a nova criatura. O poder de Cristo manifestado pela prática do Evangelho é a essência da nova vida.

Se Jesus nasceu em uma suja estrebaria - que representa o próprio coração humano - agora esse novo homem deve não somente nascer, mas viver como Ele viveu.

Cumprir Suas ordenanças em essência – e não na aparência!

A questão é: o que significa viver Sua vida e cumprir Seus mandamentos?!

A vida de Jesus foi inteiramente dedicada à servidão! Ainda que Ele fosse o Senhor, em nenhum momento hesitou em se lançar totalmente ao bom serviço de seus pequeninos. Uma vida vivida no mais absoluto amor; amor que ocasionou a justiça; justiça que se manifestou pela graça.

Amor que se abdicou de toda e qualquer raiz de egoísmo evidenciada nos rituais religiosos; nas caprichosas vaidades desta vida; na ganância e soberba encontradas nos corações dos poderosos; no medo e insegurança presentes na existência dos assolados.

A Sua imagem não Lhe importava; muito menos sua promoção.

Suas palavras eram somente o eco de suas ações, do exercício contínuo e interminável de Seus ensinamentos na e para a vida.

Os religiosos O rejeitaram; os intelectuais não O puderam compreender, ou quando o entenderam se acovardaram; os ricos e poderosos fugiram de Suas exigências que confrontavam o conforto proporcionado por suas posses; muitos desacreditados e incapazes, marginalizados, logo Lhe deram crédito, pois as dores da vida já os havia experimentado de modo suficiente a fazer com que identificassem quem realmente detinha a cura para suas desilusões e desesperanças.

Assim, onde estão aqueles que já não vivem mais para si mesmos, mas em quem Cristo vive?!

Conheça a árvore pelos seus frutos! Frutos são as obras – boas ou más!

Como pode alguém falar coisas boas se o seu coração está repleto de maldade e de corrupção? De fato, não há como!

As obras evidenciam a fé; apontam o que há no mais secreto do coração humano. Em verdade, as obras são o único meio pelo qual a fé é testificada e manifestada.

Mostra-me a tua fé sem obras que eu te mostrarei as minhas obras – e consequentemente perceberás a minha fé!

Em todo o Novo Testamento, nosso Mestre só demonstrou uma única maneira de servi-lO: fazendo o que Ele fez, servindo aos pequeninos, suprindo suas necessidades, apresentando, em exercício prático, o Seu Amor.

Porque é nas humildes e desprezadas estrebarias que o Messias irá nascer: nas ruas e esquinas; em meio ao desespero e à necessidade; no ser mais amargurado e sujo; nas vítimas da indiferença social; nos escravos da desolação emocional e psicológica; nos esquecidos e menosprezados. São essas as manjedouras propícias ao nascimento do Salvador.

Os grandes jamais O poderiam aceitar...

Quem está a viver do modo como Ele viveu?! Quem está a servir-LO por intermédio do serviço ao próximo?! Quem se desprendeu dos pegajosos laços da religião e se dirigiu às viúvas e órfãos a fim de auxiliá-los?! Quem se absteve dos rituais inúteis e se dedicou ao consolo dos aflitos de espírito?! Quem O amou somente com palavras, não percebendo o necessitado que cruzou seu caminho?!

A “igreja” que invoca o Seu nome e que reivindica ser o berço de Seu nascimento e de Seu natal é a entidade mais distante na atividade de manifestar a Sua vida.

Sim, eu conheço essa igreja e a discirno: suas obras são más, estúpidas e inúteis. Conheço essa árvore de raiz apodrecida denominada de Cristianismo porque seus frutos não prestam para nada! Não passam de lenha prestes a ser lançada ao fogo!

Ela está tão apontada pra si mesma; tão preocupada em servir a um deus que existe exclusivamente para realizar seus desejos e caprichos. Mal sabe ela que seu ego é o seu deus. Pensa que é rica, cheia da autoridade, poder e unção, que é geração profética... mal sabe que na verdade é pobre, cega e nua. 

Quem dera que percebesse a sua nudez e se vestisse efetivamente das boas obras ao invés dos rituais e frases de efeito vazio; que experimentasse o colírio da sinceridade para que viesse a enxergar com os olhos de Cristo.

O mundo - afogado no gélido modelo de existência sem propósito e vazio de sentido – jamais compreenderá a profundeza do natal se os “invocadores do nome de Jesus” continuarem a se abster de manifestar a Luz pelo meio eficaz de propagá-la: pelas boas obras.

Ah, se a "Laodicéia" atual entendesse isso... se ela saísse dos holofotes e se subjugasse à eterna e verdadeira humildade. Ah se ela vivesse o Natal... se Jesus de fato nascesse em suas vidas!

Portanto, oh Igreja que ainda é discípula do Amor, perceba o Natal; entenda o Natal; viva o Natal cotidianamente! Pois somente essa é a Luz que pode resplandecer em meio às trevas desta existência humana despropositada. 

Dezembro de 2014.

Um comentário:

  1. Seria muito importante que as pessoas atentassem para as verdades contidas neste texto.

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